19/06/03
Já fazia algum tempo que queríamos velejar na Baía da Babitonga, no litoral norte de Santa Catarina e conhecer os velejadores daquela região. A oportunidade surgiu com o convite para uma regata patrocinada pelo Iate Clube do Capri e um passeio ao Rio do Palmital patrocinado pelo Iate Clube de Joinville.

Aproveitei que era o último feriado do ano e preparei o Musashi para a travessia na semana anterior. Como tripulantes vieram os amigos Péricles e Wagner que me acompanharam até Joinville. Depois a tripulação seria substituída pela Cristina e a Natália.

Chegamos na Marina Oceania na quarta-feira à tarde para instalar a targa que tinha desenvolvido para o Musashi e abastecê-lo para a viagem. O dingue ficou bem acomodado, comprovando o sucesso do projeto da targa feito pelo amigo Álvaro Andrade.


Chegando na Barra da Baía da Babitonga

 


       Musashi e Unforgetable no Capri

 


Wagner e Péricles observando a pesca da Tainha

Zarpamos por volta das 19:00 h para o Canal da Cotinga acompanhados do veleiro Unforgetable do amigo Ronaldo ( um enorme Van de Stadt 45 ). Chegamos Tenenge às 20:30 h. Estava uma maré forte e descobri que não há mais poitas do lado de fora da Marina, então escolhi cuidadosamente um local para jogar o ferro e dei bastante cabo. O tempo estava frio mas estável, jantamos um delicioso penne à 4 queijos e fomos deitar cedo, pois tínhamos muito "chão" pela frente.

Acordamos às 2:30 h e após o café e check-list final para a viagem, liguei para o Simepar e peguei a previsão on-line do tempo com o meteorologista de plantão ( 366-3003 ). Ele me disse que o mar estaria calmo com ventos fracos de nordeste no início da manhã, com previsão de chuva fraca para o final da tarde no Capri e ventos de sudeste fracos. Também liguei para o Controle de Tráfego de Navios dos Práticos ( 422-4711 ) para saber se havia algum navio cruzando o Canal da Galheta naquele momento. A operadora de plantão me informou que havia um cargueiro entrando a partir das 3:00 h.

Zarpamos para aproveitar a maré vazando e segui no motor por fora do canal, já visualizando a passagem do referido cargueiro. Às 5:30 h estávamos fora da barra já aproados para a Ilha de Currais a qual passamos em seu través por volta das 6:30 h. Entrou um vento de 8 nós de sudeste a abrimos as velas. Passamos por Itacolomis às 08:30 h quando o vento parou e começou um chuvisco chato. O novo bimini e dog-house do Musashi ajudou muito nesta hora. Motoramos até a entrada da barra da Baía da Babitonga, passando pela bóia de entrada às 12:30 h.

O canal da entrada do Capri é um pouco chato pois têm umas bóias de sinalização que são umas estacas amarelo-laranja com a ponta fluorescente. Você deve deixá-las por boreste. O Unforgetable estava encalhado bem na frente do canal final de entrada do clube. Jogamos o ferro por ali e fomos almoçar no restaurante do clube, mas antes estouramos uma champagne guardada para este momento especial !

Depois demos entrada na secretaria do clube e levamos os barcos para as poitas indicados pelo gerente. Ao final da tarde demos uma caminhada pela bela praia em frente ao clube para ver os pescadores que estavam retirando cerca de 400 tainhas de suas redes.

 

Quando voltamos para o Musashi vi que meu amigo Álvaro Andrade estava chegando com seu veleiro, um Ranger 22 chamado Argonauta. Foi muito legal podermos bater um papo gostoso. Combinamos de nos vermos no dia seguinte, pois ele tem uma poita do outro lado da baía. 

Depois da ótima acolhida do Iate Clube do Capri, zarpamos para a cidade de São Francisco por volta das 09:00 h. No caminho encontramos o Álvaro e sua esposa Teresa pescando. Ancoramos em frente ao Clube Cruzeiro e fomos com o dingue almoçar na cidade. De longe vi que um outro veleiro ancorou perto do Musashi.

Quando fomos pegar o nosso dingue para retornar ao barco, um argentino chamado Ricardo estava desembarcando com xérox de cartas náuticas da região. Ele estava vindo da Argentina em seu veleiro clássico e subindo a costa até o nordeste. Emprestei-lhe a carta de Paranaguá para que tirasse uma cópia e fui ver qual era o barco parado perto do Musashi : O veleiro Jornal dos amigos Vilmar e Gina ! Que alegria !!!

Subimos a bordo e matamos as saudades enquanto aguardávamos o Ricardo retornar com as nossas cartas. Zarpamos todos para o Iate Clube de Joinville lá pelas 15:00 h.

 


 Os amigos Álvaro e Teresa


O Musashi ancorado na histórica São Francisco


Vilmar, Péricles, Gina e Wagner a bordo do Jornal


Um visual do Trapiche do JIC

Chegamos no JIC por volta das 16:30 h, após um agradável passeio de exploração da região pois não conhecia este trajeto. Os waypoints fornecidos pelo amigo Roberto Melani forma muito úteis pois há alguns baixios que precisam ser contornados. Importante se observar que há 2 bóias isoladas de sinalização no trajeto próximo do JIC. Uma verde e outra encarnada. Porém a gente só vê que a primeira é verde ( temos que deixá-la por bombordo ) quando chegamos bem perto pois sua cor de longe é vermelha devido à oxidação !

No JIC a recepção foi pra lá de calorosa !!!
O amigo João de Deus veio nos esperar perto do trapiche a bordo de seu dingue para nos dar a orientação de como parar no ancoradouro. Estacionamos o Musashi de ré ( coisa difícil de se fazer com a maré correndo a favor ), e um monte de gente nos ajudando a parar. Procedimentos formais cumpridos, fomos todos para um merecido banho.

Neste ponto, meus amigos Péricles e Wagner aproveitaram uma carona e foram para a rodoviária tomar o primeiro ônibus para Curitiba. Em seguida aproveitei para abastecer o Musashi com água, combustível e carregar as baterias. A Cris e a Natália chegaram de carro por volta das 18:00 h.

À noite tivemos o privilégio de participar do jantar de confraternização oferecido pelo JIC. No cardápio Tainha à moda da casa ( feita da brasa ) e muita descontração juntos aos velejadores que participariam do passeio no dia seguinte. Show de bola !!!

No sábado de manhã o João nos mostrou as instalações do JIC. Fiquei impressionado com a organização, limpeza e estrutura oferecida aos sócios e convidados. Como exemplo, no vestiário tinha toalha e sabonete à nossa disposição ! O Clube está de parabéns !!! Tomara que um dia a gente tenha este nível de atendimento por aqui...

Zarpamos em 7 veleiros e 2 lanchas para o Rio do Palmital por volta das 10:00 h. Foi uma passeio muito gostoso ( embora na ida só no motor ) chegando no ponto final perto das 15:00 h. No caminho passamos por várias ilhas cercadas de praias e coqueiros. Me surpreendi com a profundidade do rio em todo o trajeto ( variando de 16 até 3,5 metros ). Outro ponto importante é a quantidade de voadeiras com pescadores na região. Os peixes são tantos que a gente freqüentemente os vê saltando para fora d´água...

 

 


 Muitas ilhas no trajeto do Rio do Palmital

 

 


O Musashi ao lado de seus novos amigos


A confraternização

Paramos todos os barcos a contrabordo e festamos até umas 23:00 h, quando cada um foi procurar um local para pernoitar. A bordo do Musashi rolou uma deliciosa picanha feita na nossa churrasqueira à gás ( o pessoal de lá ainda não conhecia este tipo ).

Foi muito bom poder estar lá com estas pessoas tão agradáveis e receptivas. O Vilmar nos brindou com boas histórias de sua volta ao mundo e todos fomos dormir com aquela sensação gostosa de plenitude e integração com o ambiente e o nosso veleirinho. O céu estava incrivelmente estrelado, e o friozinho gostoso para se dormir a bordo...

No domingo acordamos mais tarde e após aquele café reforçado a flotilha zarpou em direção ao JIC. Próximo da saída do Rio do Palmital entrou um vento contra de 10 nós trazendo um pouco de ondulação, mas quando aproamos para o JIC o vento ficou de popa rasa e fizemos uma velejada deliciosa, com direito a botos saltando muito perto do Musashi. Havia um baixio no caminho em que centenas de trinta-réis ( pequeno pássaro branco vindo da Antártida ) estavam descansando e alimentando-se por ali...

Chegamos no JIC às 14:30 h, e depois de uma ducha rápida fomos almoçar junto com o pessoal no restaurante do clube. Arrumamos o Musashi ( que ficará no trapiche até a próxima semana, quando pretendo trazê-lo de volta para Paranaguá ). Pegamos a estrada para Curitiba e às 19:00 h já estávamos em casa e com saudades do mar...


A família feliz retornando ao JIC



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