![]() 09/02/03 |
Neste Carnaval tínhamos planejado de ir até a Baía
dos Pinheiros. Porém, devido à maré de lua, quando chegamos na Baía da
Laranjeira o baixo calado não permitiu que entrássemos e então
resolvemos seguir para Guaraqueçaba.
Estávamos acompanhados pelos veleiros Canaloa, do Celso e o Runaway, do Eduardo. A chegada em Guaraqueçaba foi tranqüila com vento de popa bem suave nos levando à simpática cidade histórica. Depois de ancorarmos próximo ao trapiche, nós fomos de dingue ao restaurante que há ao lado do embarcadouro e tomamos uma cerveja gelada acompanhada de ótimo papo. Aproveitamos para conhecer o museu mantido pela secretaria do meio ambiente estadual, com vídeos históricos e de conscientização ecológica do local. Jantamos um ótimo peixe no mesmo restaurante à luz do luar... |
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Descobrimos que há vans particulares que podem ser
alugadas para nos levar até a Reserva da Fundação O Boticário. Nosso
objetivo era conhecer o famoso Salto do Morato. Tudo combinado com o
pessoal local, aproveitamos para ver o Carnaval popular da cidade.
No outro dia, às 7:30 h já fomos apanhados pela Kombi que havíamos alugado no dia anterior para nos levar à reserva natural. Após 40 minutos de estrada de chão batido e muito solavanco e boas risadas chegamos. Fomos muito bem recebidos por uma equipe de estagiários em biologia que prestam serviço para a Fundação O Boticário. Primeiro você assiste a um vídeo institucional que conta a história da reserva e dá dicas do passeio. |
| Depois estamos liberados para percorrer a trilha que vai
até a cachoeira. É um passeio de 20 minutos tranqüilo, com direito
à parada para banho numa curva do rio. A água é transparente e
fria. O mergulho é acompanhado de muitos peixinhos. Depois, mais uns 10
minutos e você chega na cachoeira que é de tirar o fôlego de tão
bonita. A placa amarela da foto indica o ponto final, adiante torna-se
perigoso. Você pode observar que há uma piscina natural onde dá
para tomar um ótimo banho. O lugar é muito bonito e repleto de
borboletas e pássaros silvestres.
Se quiser dá para assar um churrasco na sede, pois eles possuem infra-estrutura para isto. Mas você tem que levar todo o seu material.
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Retornamos ainda para o almoço na cidade de Guaraqueçaba. Encontramos o Rodney do veleiro Four Winds. Combinamos via rádio com o Crespo do veleiro Anny que iríamos todos dar um pulo na Ilha das Gamelas, onde ele estava ancorado. Zarpamos todos no meio da tarde, contornando o baixio que vai até quase a entrada da Baía da Laranjeira para então aproar à noroeste para as Gamelas. Chegamos lá por volta das 17:00 h mas decidimos ir pernoitar no lado oeste da Ilha Grande pois o lado leste das Gamelas estava desabrigado de ventos sul e nordeste. |
| Depois de ancorarmos num canal a oeste da Ilha Grande
estávamos com uma profundidade de 4,5 metros e a maré de lua
começou a vazar. O Musashi garrou a âncora e então liguei o motor
para tentar ancorar em outro lugar. Nisto a âncora fisgou e não
saía mais do lugar. Tentamos soltá-la por uns 40 minutos e começou
a anoitecer. Neste momento veio de noroeste uma forte tempestade com
nuvens negras rolando por cima da serra e atingindo a baía onde
estávamos. Os ventos chegaram a 35 nós. Joguei a segunda âncora e
me abriguei na cabine aguardando o mal tempo passar. E a maré
baixando...
Depois de cerca de 1,5 hora o vento acalmou e tentei novamente soltar a âncora que estava travada no fundo. Estava a uns 20 metros da parede de pedras do sudoeste da Ilha Grande. Não consegui nem no motor. Foi então que entrou uma segunda tempestade, agora acompanhada por muitos raios verticais e horizontais. Passamos um sufoco danado até que por volta da meia noite a coisa acalmou-se. Então amarrei o cabo da âncora travada no dingue do Musashi e fui ancorar mais à frente e safo das pedras. Por volta das 4 da manhã acordei com o Musashi preso no dingue. A segunda âncora garrou e fomos arrastados até o cabo da primeira âncora que segurava o dingue !!! |
De manhã pedi ajuda ao Rodney do Four Winds que tinha um inflável com motor de 25 HP. Ao tentarmos livrar a âncora travada este motor pifou e não pegou mais. Tentei ainda puxar a âncora pela popa do Musashi, prendendo o cabo ao cunho, mas não dava certo pois quando dava avante o barco girava como um ponteiro de relógio mas não soltava a âncora. Mergulhar nem pensar pois a maré estava super forte. Resultado : passei a faca e aquela âncora travada ficou de oferenda para Neturno ... Por 3 vezes ela me livrou do perigo ! Depois retornamos com tranqüilidade para casa e muita história para contar...
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