Dezembro de 2001
a Fevereiro de 2002

Estando devidamente instalado o barco em sua vaga na marina, iniciei o trabalho de reforma. 
Bom, a gente pode dizer que a dedicação de todo meu tempo livre até as vésperas de carnaval foi desenvolvendo soluções para o Musashi. Desde a criação do design, cor da pintura a projeto de escada, tubulação hidráulica, painel de instrumentos, toldo, etc, etc e etc. Uma relação mais detalhada encontra-se na seção "A Reforma". Neste processo foi fundamental a colaboração dos amigos Cesar Tesser, Carlos Stenzolski e Álvaro Andrade.

Na véspera do Carnaval, já havíamos organizado um passeio com outros amigos e o barco ainda faltava um monte de detalhes. Pois que faltasse ! Zarpamos com o Musashi querendo sair das fraldas ainda...

 Fazendo ajustes na capa da mestra.

Repare que o fundo do casco já estava pintado.


09/02/02

 

 

 

 


Enfim o Carnaval chegou e como planejado fomos em companhia de mais 12 veleiros para nosso passeio de batismo no Musashi. Minha esposa Cristina e minha filha Natália compunham a tripulação.

No primeiro dia ancoramos no tradicional point da entrada do Rio das Peças, na ponta oeste da ilha do mesmo nome. Local super tranqüilo e abrigado de qualquer mal tempo. Como o barco estava apenas com um tanque de 50 litros, ( o outro ainda estava vindo dos EUA, comprado na West Marine, por simplesmente não haver em estoque no Brasil ) aproveitei para abastecê-lo em terra. 

O Cesar ( veleiro Carpe Dien ) e o Saldanha ( Ventania ) estavam com seus barcos atracados bordo a bordo e fritando um monte camarão para os convidados, regados a muita cerveja e risadas amigas. Depois mais barcos foram chegando e assim que arrumamos as coisas a bordo partimos no dingue para a festa, que rolou até o anoitecer...

 Festa nas Peças !

Repare o Cesar fritando os camarões no centro, com um hilário turbante do Said...


No outro dia, logo cedo partimos em comboio para contornar o canal do norte da Ilha das Peças. Este trecho possui muitos baixios, curvas e mangue em ambas as margens. Com o calado de 1,40 m seguimos cautelosamente os O´Day e Van de Stadt que praticamente não possuem calado por este sinuoso trecho, mas fomos bem até a entrada da belíssima Baía dos Pinheiros. De lá foi um pulinho até chegarmos na Ilha dos Papagaios. Descansamos o restante do dia depois de um delicioso almoço preparado pela Cristina, estreando com sucesso nosso fogãozinho Dako 2 bocas e forno.

No pôr-do-sol assistimos deslumbrados a chegada do bando de papagaios de cara-roxa que vêm até a pequena e segura ilha para pernoitar, junto com biguás e garças de vários tipos. A calma do lugar, o brilho do sol nas águas e o trinar das centenas de pássaros confere ao espetáculo uma rara beleza que desfrutada a bordo de seu próprio veleiro provoca um sensação indescritível...  : )

À noite convidamos para jantar a bordo os amigos Paulo e Naná do veleiro Caxaréu. Como estava poupando minha única bateria a bordo, jantamos à luz de velas. Foi um bate-papo delicioso. Pouco antes de dormir ainda pude ajudar uma dupla de amigos ( não mencionarei quem são os figuras ) que estavam prá lá de bêbados a bordo do dingue tentando fazer o motor pegar. Resultado : acabei rebocando à remo ( meu dingue não possui motor ) a dupla até chegarem na segurança de seu barco e enfrentando a cara de brava das esposas, que provavelmente acharam que eu participara da farra !

Ilha dos Papagaios

De manhã tomamos um café reforçado a bordo e como ainda era cedo peguei o dingue ( apelidado de Musashinho ) e fui bater algumas fotos da flotilha e da linda região,  foi bem agradável. Vi um pescador numa canoa rebocando um dingue que havia se soltado de um dos barcos próximos ao nosso e o pessoal nem estava sabendo disto.

Mais tarde partimos em direção ao sul tendo como objetivo a pequena vila próxima à barra da Ilha do Superagui. Logo na saída da Ilha dos Papagaios encalhamos o barco num banco de areia, e o amigo Paulo prontamente chegou com seu O´Day 23 e nos ajudou a sair com um cabo amarrado em nossa popa. Depois deste imprevisto o  caminho foi tranqüilo e seguro, mas observamos uma respeitável correnteza neste trecho, que fortalece-se pelo estreitamento da Baía entre as Ilhas Superagui e Peças. Depois do final da Ilha das Peças há um grande banco de areia que forma uma bela "ilha" toda feita apenas de areia e sem vegetação, que é muito boa para um banho em suas lindas praias. Seu lado norte possui águas mornas e calmas, vindas da Baía dos Pinheiros, já o lado sul a água já é mais fria e com ondas que vêm do mar aberto. No meio da "ilha" forma-se uma lagoa de água represada pela maré anterior, repleta de peixinhos e siris, com profundidade de uns 40 cm. Vale a visita, principalmente pelo visual que se têm da Ilha do Mel.

Almoçamos uma bela macarronada de domingo a bordo, abastecemos nosso tanque d´água no vilarejo do Superagui. A maioria do pessoal estava num barzinho e fomos até lá de carona no dingue motorizado do amigo Paulo do veleiro Caxaréu. Aproveitamos para deixar nossa assinatura na parede do bar, como todos os amigos fizeram, como recordação da passagem da flotilha naquele carnaval. Rolava um som axé music geral por lá ! No final da tarde rumamos para o norte visando nossa abrigada Ilha dos Papagaios para o último pernoite.

Churrasquinho ao lado do veleiro Carpe Dien, do amigo Cesar Tesser...

Depois de uma noitada de muita conversa de cockpit a bordo do hospitaleiro Carpe Dien, fomos para o nosso merecido descanso. Na manhã seguinte partimos em direção à Paranaguá em comboio. Seguimos o Veleiro Ventania a pedido do amigo Saldanha que conhece bem o trecho, para evitarmos um possível encalhe, visto que a maré estava cheia e não dava para ver os baixios sinuosos. Não deu outra : encalhamos mais uma vez, e quando fui com a capitã Cristina para a proa do barco minha filha Natália virou o leme para o outro bordo e nos tirou do encalhe, visto que o barco adernou um pouco com nosso peso na proa.Esta tripulação promete...

Quando saímos de volta para a Baía de Paranaguá, o pessoal abriu na vela para o norte em direção à Guaraqueçaba visando ganhar altura no contra-vento. Nossa intenção inicial era a de acompanhar a turma, porém o sol estava de rachar e como estávamos um pouco cansados e com compromisso marcado para o final da tarde em Curitiba, arribamos em direção à Ilha do Mel e de lá para a Ponta da Cruz, chegando na marina Oceania por volta das 13:00 h.

Estava assim concluído o nosso primeiro passeio com o Musashi, mesmo sem que ele estivesse pronto para o batismo. Foi muito bom !

 



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